" (...)
Cantando amor, os poetas na noite
Repensam a tarefa de pensar o mundo.
E podeis crer que há muito mais vigor
No lirismo aparente
No amante Fazedor da palavra

Do que na mão que esmaga."

Hilda Hilst

Se gostou, volte sempre!!!!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ah, A VIDA...




A vida é só uma, e
Última

Ainda que haja reencarnação ESTA vida é apenas esta

Não há como retroceder, nem mesmo
Ter direito a uma sessão de VALE A PENA VER DE NOVO

Não se pode voltar para cometer erros mais belos,
Mais Livres, e mais úmidos

E, a derradeira linha do livro, o Inconsciente repete como um mantra:
... “sim, e morreu feliz para sempre.”

Esse sempre é o instante em que só consigo me lembrar de Cora Coralina:

Para que a vida não seja curta nem longa demais
É preciso que ela seja intensa, verdadeira e pura
Enquanto durar...

Ah, Cora, nossa doce Aninha,...

Se soubesses
O quanto é tão difícil ser pura
Quando não se acredita mais na pureza...


Lou Albergaria

***

Um dos poemas mais belos de Cora:

"... se a vida é curta...

Não sei...
Não sei...

se a vida é curta
ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura...
enquanto durar."

Autora: Cora Coralina


Imagem: VLADIMIR KUSH

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Êi, PÁSSARO AZUL!




Passeio entre polens, e
Pergaminhos, mas
É sempre o seu rosto
Que me acena beija-flores

Os olhos fundos...

Dois rios que capturam
Whisky, cerveja, fumaça
O mundo

E, me capturam...

Vou eu tateando a margem
Dos seus lábios

Essa ilha de água agridoce

Onde colho a poesia
E, os pássaros azuis
Quase caindo do ninho, que
Ainda não aprenderam
A voar... em nós


(ah, Bukowski...

o pássaro azul está no fundo do rio
varado de fome, e
desse nosso medo de amar...)


Lou Albergaria
 
***

Poema PÁSSARO AZUL de BUKOWSKI

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ESSENCIAL É SER FELIZ


Em muitos momentos sinto que o melhor que se pode dizer a uma criança de dez anos é que se prepare para a morte. Daqui a algum tempo, você perderá seus avós, depois seus pais, tios, primos, amigos e, com alguma sorte, você também se perderá. Talvez, encontre o caminho de volta ou talvez descubra que o melhor mesmo é jamais voltar...

De qualquer forma, enquanto nos perdemos encontramos outras formas de olhar o que nunca demos tanta importância; coisas simples, coisas tolas, coisas essenciais.

Mas, o que é essencial? O que é felicidade?

Muitas vezes, sinto que o essencial por ser tão pequeno, tão ínfimo, tão precário, está tão escondido, recalcado, amontoado em pilhas de supérfluos, perdido em sua própria essencialidade de uma existência inútil.

E, a felicidade? ....a felicidade é um oásis no labirinto.

Todos sabem o que é e onde fica, mas
poucos têm a coragem para alcançar.

É mais fácil dizer da infelicidade. O que é infelicidade?

A infelicidade é um grão de areia nos olhos
de quem não sabe mais produzir lágrimas.

O que incomoda mesmo não é o grão de areia; mas,
não conseguir mais verter lágrimas, que
deixem a alma limpa e pura
para que a felicidade plante suas raízes...

É tão difícil ser feliz com os olhos turvos.

E, é tão fácil, tão fácil...
Basta perder o medo do escuro.


Lou Albergaria

Imagem: William Blake

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Mon Ange...



Se num coração de criança

Abrigo minha alma
Renasce a pureza que um dia
Esqueci

O anjo

Que não pude ser
Desperta a Menina

que desejo desanoitecer em mim...


Lou Albergaria


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

SINA



Poeta não nasceu pra ser feliz
Poeta nasceu pra ser genial


Feliz é nuvem pássaro
Céu estrelado em noite de sábado
Beijo de namorados molhado, e
Salgado


Na madrugada...


A palavra amor em sua saliva
Abrindo meus lábios
Penetrando meus sonhos
Adivinhando meus planos
Sorrindo de graça.


Não quero ser Poeta!


Por favor, livra-me dessa sina
Deixa eu ser somente sua Menina
Deitar no teu colo
Tocar castanhola
Vibrar com Nina Simone
Naquela nossa antiga vitrola

Dançarmos juntos
Eternamente juntos
Até que o tempo se canse de nós, e

a poesia, se canse de mim...



Lou Albergaria

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

meta.MOR.face

Você tem medo de mim?
pois, não tenha...

Sou mais inofensiva que a barata
do Kafka


Tonta desengonçada
de patinhas pra cima
debatendo-as contra o ar


E, de onde vem esse ruído todo
que tanto o assusta?


Ah!...querido, isso?!

São só os hormônios
escorrendo
os séculos...


(sou tão só uma borboleta triturando as asas nas paredes do casulo...
deve fazer um barulho dos Infernos mesmo...


E, é quente, viu!
muito quente!)

Lou Albergaria

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

OS VERSOS COLHIDOS DOS SÓIS...

"

E
S
P
E
R
o Aquela que há de vir,
Surgida das névoas
Dos tempos primeiros;
Mais primeiros e imemoriais,
Aquela, das trevas primitivas,
Que há de chegar,
Meio miração, meio miragem
Dos que se miram na ação
E dormem, e mortos nascem
Nos desenhos e olhos,
Do cipó feito jibóia.
E, dos sonhos de ervas,
saída.


Onde o canto dos pássaros?
Onde a ópera dos grilos, e a ode dos sapos?
e a ventania que a folha não farfalha?


Ouvi! Atentai!
Aquela, última-primeira,
É agora, dos idos das eras
E do escuro das névoas, já
chegada.
E chegando traz flores feito sorriso,
E caiçuma de astros,
E se entrega, feito poesia
na cuia de seu corpo,
onde, minha alma, há de beber
a liberdade, até embriagar-se
de utopia e sóis."

Miguel Jorge Silva  /070911

Um lindo amigo da cultura indígena. Amei essa forma de fazer poesia utilizando os elementos da natureza de uma forma tão pura, buscando saciar a sede direto da fonte, mina d'água absurdamente límpida que até constrange... Um lirismo exuberante! Obrigada, querido!!!