" (...)
Cantando amor, os poetas na noite
Repensam a tarefa de pensar o mundo.
E podeis crer que há muito mais vigor
No lirismo aparente
No amante Fazedor da palavra

Do que na mão que esmaga."

Hilda Hilst

Se gostou, volte sempre!!!!

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quarta-feira, 15 de junho de 2011

ADORO GENTE DE VERDADE!



Na edição de Junho/11, a REVISTA CLAUDIA trouxe uma entrevista linda com a atriz CISSA GUIMARÃES que perdeu seu filho caçula - Rafael - há quase um ano. No fechamento da matéria, encontrei algo muito interessante que compartilho com vocês:

A filosofia de Cissa


“Não tenho certeza de nada, não me acho a melhor atriz, vejo defeitos na minha vida. A maturidade acrescentou clareza às minhas incertezas. Eu as aceito.”

“Com relação ao amor, sou um pouco idiota e ingênua, mas não burra. Sei que não vai durar para sempre; mesmo assim acredito.”

“Respeito meu dinheiro. Não vou a shopping, não sou uma fashion victim. Acho ridículo andar igual a todo mundo. Para mim, tanto faz uma bolsa Hermès ou de feira.”

“Parei de ir à praia do Arpoador. As pessoas vão lá para ver paparazzi. Pego a bicicleta para olhar as tardes lindas e mergulhar numa praia mais vazia.”

“Antes, era audaciosa. Hoje tenho meus medos. Viajar só e ficar parada com o carro quebrado está descartado. Não me coloco tanto em perigo.”

Também acredito em tudo isso, Cissa!

Adorei uma frase que ela disse durante a entrevista:
 
"Digo que estou ótima sozinha, mas, se pintar alguém especial, eu quero, sim.”
 
Ôhhhhh, se quero!!!!!
 
CONFIRAM TODA A MATÉRIA: AQUI! Vale a pena; uma super lição de vida.
 
Que bom saber que as perdas não tiram nossa sensatez. Ao contrário, aguçam-na!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

POESIA MARGINAL


Queridos e amados leitores,

Este post é mais uma ratificação da minha (LOU)CURA. Somente isso. Não se assustem. Hoje tive a comprovação CABAL de que todo o UNIVERSO CONSPIRA em favor da minha loucura.

Outro dia deixei um comentário no blog do Jairo - PALAVRADIANDO - blog aliás que adoro (devidamente linkado em SEMENTES SELECIONADAS na barra lateral esquerda), dizendo a ele que fazemos POESIA MARGINAL, pois havia lido um artigo sobre essa vertente da poesia brasileira, também conhecida como GERAÇÃO MIMEÓGRAFO, uma vez que esses poetas não tinham uma editora convencional, então eles mesmos mimeografavam seus escritos, grampeavam e saíam livres, leves e soltos pelas portas das universidades, escolas, bares, teatros e qualquer outro lugar, talvez até velório em cemitérios a venderem seus poemas. Paulo Leminski foi um dos grandes expoentes desse movimento.

Pois bem, estava eu agora mesmo procurando algum artigo no 'google' que explicitasse melhor a poesia marginal para postar algo para vocês, então digitei POESIA MARGINAL e obviamente, como todos já estão carecas de saber, aparece aquele TANTO de respostas à pesquisa com seus diversos links. Diante de dezenas de opções, faço um click justamente sobre um link que me levou ao poema que postarei abaixo.

Quando li o poema, não acreditei na coincidência (?) e imediatamente lembrei-me da época em que lia PAULO COELHO há mais de vinte anos, sobretudo os primeiros livros. Depois quando comecei a sentir o 'cheiro mercadológico' de seus escritos parei de ler. Mas esta frase escrita por ele em O ALQUIMISTA sempre me perseguiu ao longo da minha vida: "O UNIVERSO CONSPIRA PARA QUE VOCÊ ALCANCE TUDO QUE QUEIRA, DESDE QUE DESEJE MUITO MESMO COM O CORAÇÃO..."

Sei que é um chavão dos mais desgastados dos últimos vinte anos ou mais até, mas essa frase me persegue ou eu a persigo, não sei... Essa NECESSIDADE que Nós HUMANOS temos de ACREDITAR que há ALGO acima orquestrando vidas, destinos e energias vitais. Talvez seja mera coincidência, mas pelo sim, pelo não...pero las hay, las hay...

O poema abaixo é magnífico (eu o considerei magnífico pela transgressão formal/estética, mas principalmente pela aura cabalística que ele enseja para mim). Faz parte do livro ESQUIMÓ do Fabrício Corsaletti que pertenceu ao Movimento citado e, este ano, algumas editoras resolveram relançar autores daquela época. Esse livro, por exemplo, é da Companhia das Letras.

Agora leiam o poema e me digam se O UNIVERSO CONSPIRA, ainda que 'coincidentemente', para que alcancemos o que desejamos verdadeiramente com o coração.


"ESQUIMÓ"

Seu nome

se eu tivesse um bar ele teria o seu nome
se eu tivesse um barco ele teria o seu nome
se eu comprasse uma égua daria a ela o seu nome
minha cadela imaginária tem o seu nome
se eu enlouquecer passarei as tardes repetindo o seu nome
se eu morrer velhinho no suspiro final balbuciarei o seu
[nome
se eu for assassinado com a boca cheia de sangue gritarei o
[seu nome
se encontrarem meu corpo boiando no mar no meu bolso
[haverá um bilhete com o seu nome
se eu me suicidar ao puxar o gatilho pensarei no seu nome
a primeira garota que beijei tinha o seu nome
na sétima série eu tinha duas amigas com o seu nome
antes de você tive três namoradas com o seu nome
na rua há mulheres que parecem ter o seu nome
na locadora que frequento tem uma moça com o seu nome
às vezes as nuvens quase formam o seu nome
olhando as estrelas é sempre possível desenhar o seu nome
o último verso do famoso poema de Éluard poderia muito
[bem ser o seu nome
Apollinaire escreveu poemas a Lou porque na loucura da
[guerra não conseguia lembrar o seu nome
não entendo por que Chico Buarque não compôs uma
[música para o seu nome
se eu fosse um travesti usaria o seu nome
se um dia eu mudar de sexo adotarei o seu nome

minha mãe me contou que se eu tivesse nascido menina
[teria o seu nome
se eu tiver uma filha ela terá o seu nome
minha senha do e-mail já foi o seu nome
minha senha do banco é uma variação do seu nome
tenho pena dos seus filhos porque em geral dizem "mãe"
[em vez do seu nome
tenho pena dos seus pais porque em geral dizem "filha" em
[vez do seu nome
tenho muita pena dos seus ex-maridos porque associam o
[termo ex-mulher ao seu nome
tenho inveja do oficial de registro que datilografou pela
[primeira vez o seu nome
quando fico bêbado falo muito o seu nome
quando estou sóbrio me controlo para não falar demais o
[seu nome
é difícil falar de você sem mencionar o seu nome
uma vez sonhei que tudo no mundo tinha o seu nome
coelho tinha o seu nome
xícara tinha o seu nome
teleférico tinha o seu nome
no índice onomástico da minha biografia haverá milhares
[de ocorrências do seu nome
na foto de Korda para onde olha o Che senão para o
[infinito do seu nome?
algumas professoras da USP seriam menos amargas se
[tivessem o seu nome
detesto trabalho porque me impede de me concentrar no
[seu nome
cabala é uma palavra linda mas não chega aos pés do seu
[nome

no cabo da minha bengala gravarei o seu nome
não posso ser niilista enquanto existir o seu nome
não posso ser anarquista se isso implicar a degradação do
seu nome
não posso ser comunista se tiver que compartilhar o seu
[nome
não posso ser fascista se não quero impor a outros o seu
[nome
não posso ser capitalista se não desejo nada além do seu
[nome
quando saí da casa dos meus pais fui atrás do seu nome
morei três anos num bairro que tinha o seu nome
espero nunca deixar de te amar para não esquecer o seu
[nome
espero que você nunca me deixe para eu não ser obrigado a
[esquecer o seu nome
espero nunca te odiar para não ter que odiar o seu nome
espero que você nunca me odeie para eu não ficar arrasado
ao ouvir o seu nome
a literatura não me interessa tanto quanto o seu nome
quando a poesia é boa é como o seu nome
quando a poesia é ruim tem algo do seu nome
estou cansado da vida mas isso não tem nada a ver com o
[seu nome
estou escrevendo o quinquagésimo oitavo verso sobre o seu
[nome
talvez eu não seja um poeta à altura do seu nome
por via das dúvidas vou acabar o poema sem dizer
[explicitamente o seu nome.


Fabrício Corsaletti


in ESQUIMÓ


Para lerem mais sobre o Movimento POESIA MARGINAL:

O LINK CABALÍSTICO: http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/livros/trechos/2010/03/07/ult5747u87.jhtm


"yo no creo en brujas pero que las hay las hay."

Cervantes

Era para encerrar o post por aqui mesmo, mas preciso encontrar uma música que retrate essa minha REVELAÇÃO ESOTÉRICA...hahaha.... Sei lá, algum "Arcanjo Gabriel", anunciando O NOME Lou Albergaria... como a próxima EXCRETORA da POESIA MARGINAL...

Outro dia no blog do Wanderley Elian - também linkado na barra lateral esquerda - recebi mais de 70 comentários ao meu poema A BOSTA É POP! Até disse a ele que só mesmo em blogs alheios consigo tantos comentários assim acerca de minha poesia, pois nos meus blogs poucos comentam. Mas o que mais me intrigou foi a quantidade grande de pessoas que NÃO SABIAM O QUE DIZER - não sabiam se haviam gostado ou detestado - ou seja, ficaram PERPLEXAS, meio que ainda 'tentando digerir o banquete apresentado'... Digerir BOSTA POP não é mesmo tarefa muito fácil, eu que o diga...e MARGINAL,então, no sentido de estar à margem do convencional - do sempre feito de forma sublime - que agora vem uma LOUCA de NOME Lou Albergaria achando que pode mudar as coisas de lugar assim... colocar a bosta no ventilador da blogosfera e sair ilesa dessa?!

Houve até uma senhora que disse: interessante o poema, mas ainda prefiro os versos sublimes feitos para sonhar; prefiro a poesia que faz sonhar.

Madame, pois EU prefiro a poesia que faz defecar tudo que nos entope de vergonha e constrangimento; prefiro a poesia que nos faz vomitar tudo que recebemos de hipocrisia no leitinho materno bem quentinho e doce pra nos aliciar e capturar nossa vontade e desejo, colocando cabrestos e freios em nossa libido. Delicada Madame, prefiro os VERSOS que, além de sonhar, nos faz gozar em aloucinado estado de tesão!!!

BEIJOS, Meus Amados!!!!! Inté!

Este aqui é meu ARCANJO GABRIEL que deve estar PUTO com Paulo Coelho, um canalha que se rendeu ao Sistema, ficando literalmente de quatro (nada contra a ficar de quatro, mas que seja por tesão, não por dinheiro...mas prostituição existe em toda área, não é mesmo? Sejamos tolerantes com os prostitutos da literatura e da Arte...PORRA NENHUMA!!!!!! Quem vende o corpo eu tolero e até tento compreender, mas quem VENDE IDEIAS, CONVICÇÕES IDEOLÓGICAS E SENTIMENTOS DE LIBERDADE, AMOR, PAIXÃO, LOUCURA...NOMES INDECIFRÁVEIS E INCATALOGÁVEIS, eu quero mesmo é que todos vocês vão lamber sabão... rima pobre é o que vocês merecem, seus putos!!!!):



"(...)Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...

Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...

É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador
..."


Raul Seixas

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

GANHEI CORAGEM por Rubem Alves




"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece", observou Nietzsche.

É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo.

Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em que a coragem chega:

"Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos". Tardiamente. Na velhice.

Como estou velho, ganhei coragem.

Vou dizer aquilo sobre o que me calei: "O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo.

Não sei se foi bom negócio; o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de TV que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos.

Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas.

Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.

E a história do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras ideias. Amava a prostituição.

Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão.

Até que ela o abandonou.

Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos. E o que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: "Agora você será minha para sempre." Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus.

Deus era o amante apaixonado.

O povo era a prostituta.

Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.

O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam mentiras.
As mentiras são doces; a verdade é amarga.

Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!

As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo.

O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas.
As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.

Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro "O Homem Moral e a Sociedade Imoral" observa que os indivíduos, isolados, têm consciência.
São seres morais. Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem.

Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas.

Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo tornam-se capazes dos atos mais cruéis.

Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.

Indivíduos são seres morais.

Mas o povo não é moral.

O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.

Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão.

Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras.

O povo não pensa.

Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade.

Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.

Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.

Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.

O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer.

O povo, unido, jamais será vencido!

Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos.
Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio; não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol.

Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno", à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito.

Mas, para que esse acontecimento raro aconteça, é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: - "Caminhando e cantando e seguindo a canção..."

Isso é tarefa para os artistas e educadores.

O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.

Rubem Alves

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Recebi esse texto por email da linda amiga LOBA AZUL e fiquei tentada a postá-lo, pois incita inúmeras REFLEXÕES, embora não tenha concordado INTEIRAMENTE com ele.
Creio e DEFENDO que a população menos favorecida econômica , social e culturalmente tenha o direito de manifestar seus desejos e gostos particulares.

Sinceramente, não comungo da ideia de que Bach é mais sublime que o FUNK tocado nas favelas. Penso que são duas categorias de Arte distintas e que retratam os anseios de determinado extrato da população. Entretanto, não ousaria considerar A Arte mais elitista e aristocrática como sendo MELHOR que a Arte mais popular.

Sei que meu professor de Filosofia da Arte entraria em cólicas ao ler isso. Logo ele, um defensor e catedrático dos ensinamentos de ADORNO que é um pensador que delimita com precisão a ARTE considerada SUBLIME da arte menor, abraçada pelo gosto popular.

Infelizmente, AINDA não possuo conhecimento acadêmico suficiente para refutar com tenacidade essa assertiva, mas MINHA INTUIÇÃO E ESPÍRITO LIVRE sopram em minha alma que há um certo PRECONCEITO CULTURAL que envolve tal abordagem.

Eu, como feroz defensora da DEMOCRACIA em todos os níveis, abstenho-me a apenas REFLETIR sobre essas questões levantadas pelo extraordinário RUBEM ALVES, ainda que tenha sentido e percebido em seu texto uma certa impaciência com a Arte e atitudes eminentemente populares.

Penso que uma NAÇÃO se forma com ideias e livros, sim, concordo, mas também com a liberdade de expressão e a vontade de contar sua história a partir dos recursos disponíveis.

Recuso-me a ser mais uma "intelectualóide" ou mesmo uma intelectual que defende OS CLÁSSICOS acima da realidade do próprio povo.

Creio ser necessário analisar todas as questões levantadas sob uma ótica mais tolerante e compromissada sobretudo com a LIBERDADE. SEMPRE.

Lou Albergaria
Neste mini-documentário sobre a Cultura Popular Brasileira há um trecho em que o próprio RUBEM ALVES defende nossa cultura popular e depois escreve o texto acima, colocando em xeque o gosto popular. Estranho...Vai entender o ser humano... Ele diz que atingiu a maturidade intelectual e, por isso, consegue enxergar melhor o que já sabia. Não sei. Prefiro manter o olhar turvo, então, e defender sempre a liberdade. Vamos Refletir....


“Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu"


Darcy Ribeiro

terça-feira, 10 de agosto de 2010

PÁTRIA MADRASTA VIL




Esta foi a redação premiada pela UNESCO de Clarice Zeitel, 26 anos, estudante que terminou a faculdade de Direito da UFRJ em julho. Concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) por uma redação sobre "Como vencer a pobreza e a desigualdade".

A redação de Clarice intitulada "Pátria Madrasta Vil" foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da UNESCO.

"PÁTRIA MADRASTA VIL"

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência...Exagero de escassez...Contraditórios? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que "dos filhos deste solo és mãe gentil", mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não "tapa o sol com a peneira". Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, me iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra...Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)...Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos.
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente...Ou como bicho?


Recebi essa informação por email hoje da linda Loba Azul do blog:
http://lobazul-barbarella.blogspot.com/