" (...)
Cantando amor, os poetas na noite
Repensam a tarefa de pensar o mundo.
E podeis crer que há muito mais vigor
No lirismo aparente
No amante Fazedor da palavra

Do que na mão que esmaga."

Hilda Hilst

Se gostou, volte sempre!!!!

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

QUE FLOR É ESTA?


“que flor é esta?

finge que morre
e quando menos se espera
é flor indo
flor vindo
floresta em festa

que flor é esta
que sempre resta?”

Alice Ruiz

***

...flor de Amora

flor de fruta-pão
flor de São João
flor afago lunar
Rosa estelar
Explosão Solar.

Flor D'eus
apelos incandescentes
flor de outrora
arrepios chove
flor de espinhos
na coroa do Rei Nu
carpideiras testa esfola.

Flor de cortiça
anel de ametista
flor livre de canteiros
apara arestas
flor Fada paredes escala

O Artista com seu estilingue Mestre
lança Sementes de Amoras
-Sagrado feminino de Amor-
que hoje iluminam todo o Universo.


Lou Albergaria

Para Vino Morais - http://vinoartes.blogspot.com/

***


Havia dito que os trabalhos estavam encerrados no SEMENTE DE AMORA por este ano, mas diante desse presente Maravilhoso do VINO MORAIS - a composição fotográfica acima que prefiro chamar de tela - 'precisei voltar' para agradecer a esse Extraordinário artista, que esteve comigo por todo este ano que está prestes a terminar, mas que jamais sairá do meu coração.


OBRIGADA, VINO, Meu Artista Magnífico!!!!


FELIZ 2011 A TODOS VOCÊS! E que o ANO NOVO nos reserve grandes surpresas em forma de amizade, Arte e amor!!!


BEIJO GRANDE!!!!


Muito obrigada pelo carinho de todos os amigos queridos!!!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

VIDRÁGUAS




Vidro nas águas
queDA lágrimas
postigos corTAM
seMENTES secas
cruas esCORREM
celeiro clanDESTINO
O poema sujo!
Escondido
lufar de versos abrem
folhas nas portas
desdobram letras cansadas
o escuro azul da alma
asas iluminam...
(Para Carmen Sílvia Presotto)

Lou Albergaria
Tela: Vino Morais

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A PALAVRA DA (LOU)CURA


A (lou)cura do poeta
é a letra, imagem , canção
a dor pela palavra torta
velada no sorriso
em que a alma jaz morta
sem gramática
capaz da redenção.
Eu quero a poesia (porra)louca
que ama, peca, açoita
derrama
lágrima, sangue mela
versos profana
ação mundana
(des)humana
Errática
não acho a palavra dada
com cara de tacho
sugada em lábios frouxos
cansados de inventar verdades
A palavra nua
neologismo fora da regra
estética da dialética
Eu invento a palavra que eu preciso saber.
Palavra compactua!
Com
Pacto
Atua
Na mente ferve
Indecente alma
despe e veste
a (lou)cura.

Lou Albergaria


Para Márcio Nicolau com toda admiração!!!
Tela: Vino Morais, Meu artista encantado!

sábado, 31 de julho de 2010

SEM OLHOS E SEM DONO por Carlos Heitor Cony


Ainda falando sobre leitura, a prefeitura de Belo Horizonte junto com algumas empresas de transporte coletivo da cidade, implantaram o projeto LEITURA PARA TODOS em que algumas linhas de ônibus circulam com textos - sejam crônicas, contos ou poesias - plastificadas o que proporciona aos usuários do transporte coletivo poderem ler um texto curto, em prosa ou verso, enquanto estão se locomovendo dentro da cidade.

É um projeto muito louvável e hoje, quando vinha para casa com minha filha, lemos esta crônica do Cony em nosso 'busão' o que ajudou em muito tornar a volta para casa ainda mais especial por este texto ter nos levado a profundas reflexões em relação a condição humana. Por isso, quis dividí-la com vocês, antes que os VAMPIROS a devorem...


"Já me perguntaram e eu mesmo me pergunto qual seria a imagem mais completa e dramática do abandono, da desgraça, da miserabilidade. Respondo aos outros, mas nem sempre tenho coragem de responder a mim: a do cão cego e sem dono. Ou pior: a do cão sem dono e cego.

Deve parecer exagero atribuir a um cão um dos atributos mais comuns à espécie humana. Mas o homem tem sempre uma alternativa, a de acabar com tudo quando nada mais suportar. Já disseram que o único problema que realmente enfrentamos é o suicídio, uma capacidade que os animais não têm, exceto, segundo já me disseram, mas não tenho certeza, o escorpião.

Além de dispor de uma saída radical para a miséria e o abandono, o homem é responsável, até certo ponto, pelo seu destino. Há sempre uma esquina errada que ele dobrou pela vida afora e cujo preço pagará inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde.

O cão sem dono e cego é uma coisa viva e sofredora, sem apelação, pior do que inútil e desgarrado, pior do que desesperado, pois adquire a mansa lucidez de sua tristeza, de seu abandono, e desconfia de que nada possa mudar o seu destino.

À esta altura da crônica, antes que o possível leitor me faça, faço eu mesmo a pergunta: por que estou escrevendo um texto tão triste, tão despropositado e, acima de tudo, tão discutível? Afinal, eu não sou cego, ainda não cheguei ao ponto de me considerar um cão e tenho muitos donos, donos demais. De que estou reclamando? Não sou pago para escrever sobre um assunto que nem merece a condição de assunto. Mas escrito está.

Ontem, esbarrei com um cão sem dono e cego, que mancava de uma das patas, os olhos vazados não me viram, mas ele deve ter sentido o meu cheiro, a minha catinga humana. Vagava sem rumo aqui na Lagoa. Não o trouxe para casa. Quem é mais miserável?"


Folha de São Paulo, 16/10/2003


Carlos Heitor Cony
Tela: Vino Morais