Hoje eu não vou!
Não vou mais acordar
levantar da cama
passar pelo banheiro
tomar banho, escovar os dentes
Deixar bem limpas todas as obrigações do dia
reluzentes e atraentes
o massacrante cotidiano
que o Sistema me impõe e não convence.
Hoje não vou ao trabalho
ganhar dinheiro para o patrão
e poder pagar minhas poucas contas
que não dão mais conta
de um existir de tão pouca monta
sem maiores grandes atrações.
Hoje eu quero mudar a minha história
fazer diferente o que já virou rotina
O beijo que um dia foi ardente,
hoje arde mais que estricnina.
Vou tentar refazer o caminho
escolher mais uma vez um novo desvio
inventar talvez outro rumo
menos plausível e coerente
também menos seguro, e
de algumas poucas curvas
quero reinventar a roda
Outra órbita para redefinir o Meu Mundo.
Necessito o caminho sem volta
não seguido ainda, pouco penetrado
abusado, incontido.
Quero a demência do existir sem padrões!
As mãos amarradas, postas em oração,
a febre da heresia fala mais alto
nessa sagrada hora sem ares de devoção.
Quero antes a excomunhão
dos jubilados e execrados,
aqueles que perderam não só a viagem
mas a passividade de somente acreditarem
no ponto de partida e no ponto da chegada
sem olhos para apreciarem e aprenderem com a paisagem...
Sonhei e desejei todos os amores possíveis e perecíveis
sobraram-me os intangíveis
tocados apenas por quem já não sou mais.
Lou Albergaria
in O Cogumelo que Nasce na bosta da Vaca Profana
Foto: Lou Albergaria
Amiga...quando vc abre seu coração e deixa a alma falar...nossa...é de arrepiar....
ResponderExcluirLindo de viver...parabéns...ameiiiii...
Linda noite...bjs carinhosos...
Amiga:
ResponderExcluirPrecisa de companhia para esta jornada, eu vou!
Como é bom poder deixar tudo, partir, quebrar as correntes e dizer não!!!
Adoro os teus sonhos.
Beijinhos
Belo poema. José Régio no canto negro escrevia: Não sei para onde vou, não sei por onde vou mas, sei que não vou por aí:
ResponderExcluirCântico negro
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
A poesia tem sido meu bote... mesmo que muitas vezes me afogue nela...
ResponderExcluirkiss
Belissimo poema... em todos os sentidos...
ResponderExcluirkiss
Toda a poesia é louvável... mesmo quando nos toca já sem a ser...
ResponderExcluirkiss
"Hoje eu vou mudar, vasculhar minha gaveta,jogar fora sentimentos e ressentimentos tolos. Fazer limpeza no armário, retirar traças e teias..."
ResponderExcluirVc me fez lembrar dessa música cantada por Vanusa.
Seu texto é uma pancada nos 'sacos' paradigmáticos da vida.
Te ler é bom d+
Bjs.
Suas palavras me encantam. Os seus pensamentos embelezam. Sejam de quaisquer formas que forem. Sua presença, sempre será uma presença de união para mim.
ResponderExcluirEu só posso lhe agradecer por participarmos, juntos de um pensamento unificado em forma de soneto.
Obrigado por tudo o que tem feito por mim e pelos meus singelos versos de coração!
Beijos, querida Lou!
Hoje foi um dia especial para nós!
"Tocado apenas por quem já não sou mais"
ResponderExcluirVocê tá deixando-se perder pela sua alter-ego, é isso que eu entendí? Eu já parei para pensar nas atitudes da Loba. Ela é violenta, vai a cata da presa. rsrs... Mais a moça por trás não é igual a ela.
Talvez seja hora de você reavaliar esta dualidade e mostrar quem é que manda.
Beijos do Conde.
...ardiendo
ResponderExcluirestíos
de pasión.
TE SIGO :
SEMENTE DE AMORA
con todo
mi corazón
desde :
HORAS ROTAS :
prendidas
ahora
para compartir
ya contigo.
Saludos con afecto :
j.r.s.