
Este é um dos poemas que compôem o livro PESSOAS E ESQUINAS
Não consigo adivinhar o canto dos pássaros.
Só escuto buzinas, motor de carro
Moto, ônibus...
Fumaça na cara.
O “caixa rápido” do Banco emperrado
Sendo socado pelo correntista puto.
O camelô da esquina
Oferecendo no grito seus “piratas”
O picadeiro da loucura!
Hoje,
Tudo pode ser pirateado
Até as pessoas
E sobretudo.
As pessoas sempre se escondendo
Debaixo de um longo e felpudo capote
Em suas múltiplas camadas de peles
Para se protegerem do lúgubre inverno
de uma Viena eterna
em seus séculos de luzes e de trevas.
A Urbanidade corrompe os sentidos.
Almas sendo ofertadas
Leiloadas, rifadas,
Malogradas.
Ficaram cegas, surdas e mudas.
“Closed Caption” para os sentimentos
É urgente, é necessário
Um alerta de sobrevivência
Um alarme difuso.
A cidade e seus símbolos
Os humanos e seus estigmas
A Sociedade embaraçada
Valores embaralhados
Seus pedaços arrancados...
Pessoas em seus hiatos e lacunas
Iates e dunas...
Como preencher ruas e praças
Se as pessoas estão vazias
Abduzidas por griffes, ouro, prata
Gravatas e echarpes
Titânio, cádmio, tungstênio
Tecnologias sem censura
te conectando com o Mundo.
Ser humano torna-se vira-lata
Mais frágil que uma casca de ovo
Uma bala na agulha.
Ama o cachorro mais do que a um filho
O membro mais nobre da casa
Ocupa o lugar de honra à mesa da família.
Neste momento,
está cada um em seu quarto
Seu computador
Sua TV de plasma
Seu extrato bancário.
Porta trancada:
Não incomode o tilintar do teclado.
Apenas três letras sintetizam a humanidade óbvia
De Nova York a Bangladesh
De Tokyo a Moçambique:
BMW
Apenas isso.
Não importa o estilo, a cor, o modelo
O pó que se vai cheirar lá dentro
é só um detalhe.
Apenas uma ínfima verruga na ponta do nariz.
A gente se acostuma...
Lou
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixa sua SEMENTE aí... Obrigada! BEIJOS!